Cineclube Nangetu, Na Tv. Pirajá, 1194 – Marco, Fone: 3226-7599. Ao final haverá roda de conversa com a comunidade do Mansu Nangetu. Início de cada sessão 19h. Entrada franca.
Dia 12 “Quase dois irmãos”, de Lucia Murat.
Dia 13 “Cartola – música para os olhos”, de Lírio Ferreira e Hilton Lacerda
Dia 14 “Atabaques Nzinga”, de Octávio Bezerra
Dia 15 “As filhas do vento”, de Joel Zito Araújo
Dia 16 “O Prisioneiro da Grade de Ferro”
Dia 17 “Brasil Indígena”
Dia 18 “CINESAMBA”
Dia 19 “Programa Comunidades”
Dia 20 “Terra deu, terra come”, de Rodrigo Siqueira
Dia 21 “Bahia de Todos os Santos” e “Um dia na rampa”
Dia 26 “Madame Satã”, de Karim Aïnouz

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Dia 12 “Quase dois irmãos”, de Lucia Murat. A história começa nos anos 70, quando o País vivia sob a ditadura militar. Muitos presos políticos foram transferidos para a Penitenciária da Ilha Grande, na costa do Rio de Janeiro. Assim como os políticos, assaltantes de bancos estavam submetidos à Lei de Segurança Nacional. Os dois grupos cumpriam pena na mesma galeria. Quase Dois Irmãos aborda o desenvolvimento dessa relação e também o conflito estabelecido por ela. Não por acaso foi ali e naquela época que nasceu o Comando Vermelho que, mais tarde, passaria a dominar o tráfico de drogas. A ligação é feita por meio de dois personagens, Miguel (um jovem intelectual de classe média, preso político na Ilha Grande e, hoje, um deputado federal) e Jorge (filho de um sambista que, de pequenos assaltos, transformou-se num dos líderes do CV). Amigos na infância e ainda filhos de amigos, Miguel (Caco Ciocler) e Jorge (Flavio Bauraqui) se reencontram na prisão.

sábado – 13/11 – “Cartola – música para os olhos”, de Lírio Ferreira e Hilton Lacerda
A história de Cartola, um dos compositores mais importantes da música brasileira e também um dos expoentes mais nobres do samba.

Domingo, 14/11 – “Atabaques Nzinga”, de Octávio Bezerra.
Filme musical sobre a Cultura Afro Brasileira, cuja estrutura narrativa se traduz por um jogo de búzios, onde nossa protagonista Ana chega atraída pelo “chamado do tambor” em busca de seu auto- conhecimento e seu caminho. Pela estrada da percussão nas locações de Pernambuco, Bahia e Rio de Janeiro, Ana encontra diferentes ritmos, grupos musicais e coreográficos, experienciando sua integração na sociedade brasileira. O material filmado em Angola, África, onde no séc. XVII viveu e reinou a Rainha Nzinga, guerreira famosa, cujo nome serve de batismo à protagonista do filme, é uma referência e ilustra o passado da história do negro no Brasil.

segunda – 15/11 “As filhas do vento”, de Joel Zito Araújo.
É uma lírica história de redenção amorosa entre irmãs, mães e filhas, em uma pequena cidade do interior de Minas Gerais, onde os fantasmas da escravidão e do racismo acentuam os dramas de forma sutil e poderosa. Cida (Ruth de Souza) e a irmã Ju (Léa Garcia) estão separadas por quase 45 anos. O tempo não conseguiu dissipar o rancor provocado por um incidente amoroso e familiar que marcou a juventude e a vida das duas. Com a morte do pai, Zé das Bicicletas (Milton Gonçalves), que havia expulsado Cida de casa, as duas voltam a se encontrar. Cida tornou-se uma mulher solitária. Fez carreira de atriz, atuando em cinema e telenovela, mas, apesar do talento, não teve o reconhecimento merecido. Maria D Ajuda nunca saiu do interior, cuidou do pai até a morte. Parece ter nascido para amar e cuidar dos outros, mas nunca conseguiu desenvolver nenhuma identidade profissional – o inverso da irmã atriz. Casou-se uma vez e depois teve vários filhos de companheiros diferentes. Sua família é uma típica família brasileira do interior, cheia de filhos, sobrinhos, netos e agregados. No entanto, uma de suas filhas, Dorinha (Danielle Ornellas), a que mais admira pela persistência profissional e talento artístico, é a única que despreza seu amor de mãe.

terça – 16/11 “O Prisioneiro da Grade de Ferro”.
Classificação 16 anos. Documentário produzido a partir de uma oficina realizada pelo diretor e sua equipe com os presidiários e funcionários da Casa de Detenção de São Paulo, o Carandiru, à época o maior presídio da América Latina. Feito a partir da reunião de fragmentos captados pelos próprios presidiários, o filme escapa da mera denúncia e do didatismo para favorecer a experiência e o ponto de vista dos que vivem no cárcere. O sistema carcerário brasileiro visto de dentro: um ano antes da desativação da Casa de detenção do Carandiru, detentos aprendem a utilizar câmeras de vídeo e documentam o cotidiano do maior presídio da América Latina.

Quarta 17/11 “Brasil Indígena”.
O programa apresenta quatro visões particulares sobre o índio, dos anos 1960 até a virada do milênio. Ãgtux traz, com um olhar sensível, as questões de terra que envolvem a nação Maxacali, de Minas Gerais. Jornada Kamayurá narra com delicadeza um dia na pequena nação de mesmo nome. Bubula, o cara vermelha retrata Jesco von Puttkamer, cinegrafista das expedições dos irmãos Villas Bôas, com impressionantes registros de primeiros contatos com tribos indígenas. E Mato eles?, filme seminal de Sérgio Bianchi, revela sua ironia ácida e provocativa ao investigar as últimas etnias existentes no Paraná no final da década de 1970. Filmes: Ãgtux, de Tania Anaya, MG-DF, 2005; Bubula, o cara vermelha, de Luiz Eduardo Jorge, Go, 1999; Jornada Kamayurá, de Heinz Forthmann, RJ, 1966; Mato eles?, de Sergio Bianchi , Brasil, 1983

quinta – 18/11 “CINESAMBA”
São quatro curtas que abordam o samba no Brasil – Com que Roupa?, de Ricardo van Steen , RJ, 1996; Do Dia em que Macunaíma e Gilberto Freyre Visitaram…, de Sérgio Zeigler e Vitor Angelo , SP, 1998; Operação Morengueira, de Chico Serra , RJ, 2005; e Polêmica, de André Luiz Sampaio , RJ, 1999

sexta – 19/11 “Programa Comunidades”
Classificação 14 anos. Hip hop paulista é ativismo social. O brega amazonense se mira no espelho da sátira. Um documentário baiano termina em moqueca. As marionetes do Morrinho fazem seu desfile de carnaval. Maria Capacete xinga mas ama seus vizinhos em Santos. E por aí vai esse mapa do Brasil do ponto de vista das comunidades de morro e periferia. Em nove curtas, um mosaico da expressão autônoma de brasileiros livres para representarem a si mesmos. Cada um a sua maneira, mas com espírito eminentemente coletivo, o povo das comunidades está oxigenando o audiovisual brasileiro. Fruto de ações de inclusão social pela cultura e da conquista da auto-expressão, esse cinema anuncia um novo tempo. Filmes: Acadêmicos do morrinho – parte 1, de Chico Serra , Fábio Gavião , Nelcirlan Souza e Renato Dias , RJ, 2006; Acadêmicos do Morrinho parte 2, de Chico Serra , Fábio Gavião , Nelcirlan Souza e Renato Dias , RJ, 2006; Defina-se, Kelly Regina Alves , SP, 2002; Geyzislaine, Meu Amor, de Alunos da Amacine e Liceu Cláudio Santoro , AM, 2005; Maria Capacete, de Eduardo Bezerra e Victor Luiz dos Santos , SP, 2006; Mulher de amigo, de Leandro Monteiro , RJ, 2005; O Saci no morrinho, de Fábio Gavião , José Carlos Junior , Nelcirlan Souza e Renato Dias , RJ, 2006; Picolé, Pintinho e Pipa, de Gustavo Melo , RJ, 2007; Seu Aluisio e o mar, de Mariela Brito , Meg Medeiros e Núcleo Kabum, BA, 2006

sábado – 20/11 “Terra deu, terra come”, de Rodrigo Siqueira.
“Terra deu, Terra Come” narra a história de Pedro de Almeida, garimpeiro de 81 anos de idade, que comanda como mestre de cerimônias o velório, o cortejo fúnebre e o enterro de João Batista, morto aos 120 anos. O ritual sucede-se no quilombo Quartel do Indaiá, distrito de Diamantina, Minas Gerais. Ao conduzir o funeral de João Batista, Pedro desfia histórias carregadas de poesia e significados metafísicos, que nos põem em dúvida o tempo inteiro. A atuação de Pedro e seus familiares frente à câmera nos provoca pela sua dramaturgia espontânea, uma auto “mise-en-scène” instigante.

domingo – 21/11 “Bahia de Todos os Santos” e “Um dia na rampa”
– Baía de todos os santos. A trama gira em torno de um grupo de amigos inconformados com o marasmo e a vida monótona da capital baiana, na época da ditadura de Getúlio Vargas. Tonho, um mulato rejeitado pelos pais que vive de pequenos furtos no porto de Salvador, vive conflitos sociais, políticos e religiosos. Sua amante inglesa quer afastá-lo dos companheiros, mas ele se envolve num atrito entre grevistas e a polícia, terminando por roubar a amante para ajudar os perseguidos. Insatisfeita, ela o denuncia, comprometendo-o politicamente. Ele é preso e, quando volta para a família, seu drama permanece
– Um dia na rampa do mercado modelo de Salvador, onde chegavam os saveiros voltando do recôncavo trazendo produtos para comércio na capital. Tradição da capoeira, do candomblé e outros costumes são apresentados no decorrer do filme, rodado em 1955.

sexta – 26/11 – “Madame Satã”, de Karim Aïnouz
Lapa anos 30: o cotidiano e a intimidade de João Francisco dos Santos – malandro, artista, presidiário, pai adotivo, negro, pobre, homossexual – e seu círculo de amigos, antes de se transformar no mito Madame Satã, lendário personagem da boêmia carioca.